quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Um belo arranca-rabo.
Há quem acredite que tamanho é documento. Pois eu discordo. Tamanho nunca foi e nunca será documento. Dizem que mulher não pode se meter em encrenca de homem. Mas ontem, parei e perguntei-me. Por que eles se metem nas nossas? Um amigo disse-me que ver mulher apanhando é feio e ver mulher batendo não é nada bonito. Bem, acontece que em certos momentos da vida. Sentimos o corpo tremer, saímos do chão. Nossos olhos não mais enxergam e não podemos ouvir nada. Em algum momento da vida, sentimos raiva. Sentimos vontade de sair batendo em qualquer um que aparecer em nossa frente. Ontem, arrumei uma encrenca. Encrenca bonita. Comprei uma briga. E paguei com muito gosto. Quem nunca se meteu em um arranca-rabo que atire a primeira pedra! Pode ser que você nunca tenha agredido alguém fisicamente. Mas é impossível que ninguém nunca tenha tido sequer um bate-boca. Sempre repudiei brigas. Detesto baixaria. E acredito que tanto homem quanto mulher brigando, é coisa grotesca. Já me meti em algumas. Mas fazia muito tempo que não topava de frente com uma chinfrinada como na noite passada. Assistimos diariamente nos noticiários estupefatos com a violência. Chega a ser engraçado. É inacreditável como todos os seres humanos possuem dentro de si um ódio colossal ao próximo. A violência faz parte da nossa natureza. E todos nós comentemos atrocidades, não tão banais como as dos telejornais, mas com a mesma intensidade de fúria. Não aceitamos as diferenças. A violência acompanha-nos desde o dia da nossa criação. E não me venha com a conversa de que você é pacifico. Temos dentro de nós, um urso hibernando. Acredite. Um dia ele desperta e pronto. Ta feita à encrenca. Não se engane caro leitor, qualquer ofensa é um filé mignon para seu urso despertar. Futebol, trânsito, um simples olhar, um empurrãozinho... Tudo é motivo para um belíssimo arranca-rabo. O barulho na casa do vizinho, o troco errado, uma fechada, uma buzinada a mais. É briga na certa! Pesquisas científicas explicam que o pior ato de violência acontece nos primeiros segundos seguidos da ofensa. Não nos controlamos. Sentimo-nos afrontados e afrontamos. É assim que funciona. Caos define minha noite de ontem. Confusão, desordem. Qualquer atitude pode-se tornar um caos. Qualquer palavra pode ser a gota d’agua quando todos estão com os nervos a flor da pele. Não sou encrenqueira. Não gosto de tumulto. Mas ontem, foi um Deus-nos-acuda. Tapa pra cá, gritos pra lá. Todos tentavam segurar. Mas aquilo não poderia acabar ali, daquela forma. Eu não via mais nada a minha frente. Ela era o alvo... Ela, ela... Ela. Eu a procurava no meio daquela zorra toda. Uma amiga entrou na encrenca. Amigos são para essas coisas. Eu compro briga, quando a amiga vale a pena. A discussão não foi muito longe. Enquanto seguravam minha amiga, pulei por cima de todos. Em busca do alvo. Em busca dela. E acertei em cheio. Foi um tapa certeiro. Na mosca! Pensei. Eu e minha amiga, não queríamos que terminasse com apenas um tapa. Aquele ser merecia muito mais. Sentimos muito, por nossos amigos ter-nos segurado. Ora bolas, na briga deles nós deixamos o “pau comer”. Eles que nos deixassem brigar em paz. Temos nosso direito. Direito de extravasar. De perder a estribeira. A festa acabou ali. Ela foi embora chorando. E eu minha amiga? Bem, para nós aquilo tudo não terminou ali. Parecíamos duas loucas, pulamos muro, batemos em nossos amigos, não queríamos terminar aquela confusão. Mulher apanhando é feio, mulher batendo não é bonito. Mas caro leitor, não posso negar, muito menos omitir, a maravilhosa sensação que se sente, ao conseguir acertar o alvo.
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