domingo, 7 de setembro de 2008

Da morte da Língua Portuguesa

Morreu hoje a nossa admirável língua portuguesa. Segundo a entrevista dada pelo Dr. Aurélio e sua enfermeira Minigramática, a incomparável língua portuguesa estava passando por um período difícil. Após muitos anos internada em estado crônico, não conseguiu resistir ao último golpe. Contam os médicos que a língua passou por varias cirurgias onde toda a equipe médica formada por professores de gramática tentaram recuperar o uso de “ch” e “s” que teria sido trocado pelo “x”. Além das tentativas de resgate dos acentos agudos e circunflexos. A luta pela separação do “oque” foi complicada, a junta médica pensou em amputar o “o”, mas de nada adiantaria. Amigos contam que a língua portuguesa não resistiu à falta de leitura que fez com que os seres pensantes errassem na regência e na concordância das frases e palavras. Proferiram ainda que a dificuldade desses mesmos seres em conectar idéias e interpretar textos foi o suficiente para a nossa língua portuguesa não resistir. Mas o problema não acabou por aí, após essas tentativas de salvar a língua (todas fracassadas), os médicos descobriram que havia ainda outro motivo para o aumento da gravidade da doença da língua. Segundo eles, não estava mais sendo usado acento agudo nos ditongos abertos “ei” e “oi” de palavras paroxítonas, assim como, nas palavras paroxítonas com “i” e “u” tônicos, quando procedidos de ditongo. O acento circunflexo não era mais empregado nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo. O “h” teria sido eliminado de diversas palavras e a trema simplesmente deixou de existir. Segundo especialistas a situação da língua tornou-se inalterável. Foram encontrados no “organismo” da língua alguns vírus jamais vistos por eles, como o “amigox” (causador da extinção do “s”) e “porke”. Outros parasitas como o internetês, miguxês e o tiopês também colocaram em risco a saúde da língua. Dr. Aurélio levantou a hipótese de problema psicológico, causado por algum trauma na infância da língua, todavia, a enfermeira Minigramática constatou que o distúrbio mental da língua teria sido causado por trechos de conversas e alguns textos que permaneceram armazenados no sistema de memória da paciente. O laudo médico apresentado a mídia hoje pela manhã, deixa claro a causa da morte. Segundo o mesmo, a língua portuguesa teria sido assassinada dentro do hospital. Segundo a polícia os assassinos utilizaram pedaços de papeis e enviaram textos para a doente. A polícia disponibilizou para a mídia fragmentos presente nesses simples papeis que levaram a língua portuguesa à morte.
“Oix kerida língua!
Kero DiSer p Vc ki nox estamus muitos tixtis com a sua doensa. Tamo eXcrevendu a carTa p ver si vc meliora logu.”
“Vamos estar aguardando a sua melhora”
“Oi Língua, vou estar enviando junto dessa carta, um livro sobre a origem da língua portuguesa DE que você vai gostar.”
“Fazem duas semanas que tento mandar essa carta para você”
“Num sei si vc sabi, mais desdi k vc ficou doente houveram muitos acidentes fora do hospital”

A ultima frase lida pela língua foi a seguinte:

Existe muitas esperanças de vc si recuperar. Vamos estar torxendo p issu. Bjxxx”.

Sentimos muito pela perda da surpreendente língua portuguesa e esperamos que os especialistas encontrem o quanto antes a cura para esses parasitas ainda desconhecidos pela medicina gramatical a fim de que outras possíveis mortes sejam evitadas.

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