CAPITULO I
— Vou contar-lhes uma história que aconteceu há muito tempo em uma velha cidade do estado de Oklahoma no Condado de Muskogee. A cidade de Taft estava um verdadeiro caos. O xerife local, um velho conhecido por Materstoon havia sido assassinado pelo temido Billy Broncho. Foi em uma tarde quente, em frente à Capela. O vento carregava a poeira da estrada. Todos permaneceram dentro do Saloon até que o ultimo tiro fosse ouvido. Billy Broncho disparou três tiros contra o velho xerife e partiu. O Saloon do fastidioso James Westernd era freqüentado com medo. As belas moças dançavam cancã inermes. Temiam a volta de Billy. Após a morte do xerife, surgiram boatos de que pessoas teriam o visto saindo da cidade. Alguns dizem que o valentão teria partido para Kansas. Outros, porém afirmam que o bandido partiu para o estado do Alabama. Ninguém sabia ao certo qual rumo teria tomado Billy Broncho. A última vez que ele foi visto em Taft, vestia seu único traje. Chapéu de abas largas, preto. Uma bota empoeirada com esporas brilhantes. Montava seu cavalo, com nome de Nevasca. Na cintura duas armas refletiam o sol quente daquela tarde. Partiu. Não se sabe para onde, nem mesmo por que. Em uma quarta-feira a cidade de Taft estava em festa. A diligência que chegara a pouco na cidade, trouxe boas novas. O xerife Batt Wayner havia chegado. Instalou-se na delegacia que ficava na avenida principal, a poucos metros do tão freqüenta do Saloon. Trouxe com ele seu filho, o pequeno Jesse Wayner. Jesse era um aguerrido, muitas vezes atrevido. O xerife Batt Wayner sabia que ele o seguiria como xerife. Lutando pela justiça. Batt mandou seu filho para outra cidade. Temia pela volta de Billy Broncho. Os bandidos de sua gangue andavam rondando a pequena cidade. Dois meses passaram-se. Mas a cidade nunca se esqueceu do temido Billy Broncho. Alguns diziam que ouviam o galope de seu cavalo Nevasca nas noites frias e escuras. Outros diziam que ele estava na cidade, escondido. Esperando o momento certo de atacar. A recompensa para quem encontrasse o bandido foi dobrada pelo xerife local. Mas nunca naquela região encontraram alguém capaz de deter o atroz Billy Broncho. Em um domingo de festas, a cidade estava toda presente na Igreja. O soar das badaladas do sino do meio dia foi interropido por um galope distante. Não havia dúvidas. Billy Broncho estava na cidade. Na avenida de terra da cidade, apenas o xerife e mais quatro companheiros. Dick, Robert, Boss e um sujeito mal encarado conhecido por Kid Porstin. O restante da cidade permanecia dentro da capela. Avistaram dos pequenos vitrais três homens entrando na avenida. Billy Broncho vinha mais a frente. Atrás dele, Spermot e Bluebonnet Ford. Encontraram-se em frente ao Saloon. Billy vinha montado em Nevasca. Um cavalo com pêlos brilhantes e olhos atemorizantes. Vinha em passo lento. Na cintura, um cinto de couro que sustentava do lado esquerdo um revolver, com seis balas no tambor, do lado direito, um facão medindo cerca de cinqüenta centímetros de comprimento, protegido por uma bainha também feita em couro. Levava uma espingarda a tiracolo carregada com um cartucho apenas. Billy era um galante sanguinário. Vestia seu velho casaco preto carregando a poeira da estrada. Um lenço cinza no pescoço. Na face, duas cicatrizes. Nas mãos apenas um anel largo de ouro. Seu olhar era insano e sua voz sempre tranqüila. Encontram-se em frente ao Saloon do velho Westernd. Um breve silêncio toma conta da cidade de Taft. Os cinco homens trocam olhares. O silêncio é quebrado pelo xerife Batt Wayner que anuncia a Billy e seus comparsas que esta seria a ultima vez que pisariam naquela avenida. Billy move lentamente os lábios, com um sorriso burlesco deixando a mostra seus dentes amarelos e mal alinhados. Os habitantes de Taft permaneciam inquietos dentro da Igreja, sem saber o que estava acontecendo em frente ao Saloon. As mulheres rezavam impacientes. Ouviram-se tiros. Billy era mais rápido que sua própria sombra. Antes mesmo que o xerife puxasse o gatilho, acertou-o em cheio no peito. Ao lado do broche em formato de estrela que carregava pregado ao casaco marrom. A fumaça tomou conta da avenida. Corpos caíram no chão. Conta o velho Thompson que havia assistido toda a tragédia da pequena janela da capela, que apenas um dos bandidos de Billy foi morto, Bluebonnet Ford. E que Billy após ver o xerife morto na avenida banhado em sangue, sentou-se na cadeira de balanço do mesmo na varanda da cadeia. Acendeu o charuto e permaneceu ali, até que a última brasa do charuto apagasse. Logo depois, partiu acompanhado de seu parceiro Spermot.
CAPITULO II
A notícia da morte do xerife Batt Wayner havia se espalhado rapidamente. Seu filho, Jesse Wayner, soube da morte do pai por uma mensagem telegráfica. A fome de vingança do jovem Jesse tomou conta de seu corpo. E ele decide voltar a Taft e vingar a morte de seu pai. Anos se passaram. Jesse já era um rapaz forte. Castigado pela mágoa e pela sede de vingança. Seu olhar não era de um púbere de vinte e dois anos, seu olhar era triste e furioso. Não seguiu o caminho do pai, o falecido xerife Batt Wayner. Passou todos esses anos depois da morte de seu pai, escutando os boatos sobre Billy Broncho e aumentando a cada dia o seu ódio pelo bandido. Jesse era um rapaz alto. Moreno e muito atraente. Era fechado demais, por conta disso não tinha nenhum amigo. Bebia excessivamente todos os dias e freqüentava Saloons apenas para observar as dançarinas prostitutas. Jesse não era o justo que seu pai pensou que fosse. Jesse era terrível. Mudou-se para Taft em uma sexta-feira de cinzas. Apresentou-se como Jack Revenge. Não queria que nenhum habitante da cidade soubesse sua verdadeira identidade. A única coisa que Jack Revenge queria era encontrar Billy Broncho. Em uma noite de muita festa no Saloon do velho James Westernd, Jack soube que o trem que vinha do estado de Alabama estava para chegar no dia seguinte, ao entardecer do dia. Por um momento Jack teve a certeza de que Billy estaria lá. Aguardando pelo trem para mais um assalto. A cidade de Taft estava sem xerife, era certo que Billy aproveitaria esse fato para o crime. É claro, que se Billy tivesse intuito de assaltar o trem, o faria com ou sem xerife. Mas Jack sabia que iria o encontrar perto da primeira estação de trem na saída da cidade de Taft. Bebeu mais uma dose de cachaça e foi descansar. O encontro com Billy Broncho seria o grande momento de sua vida, ele deveria estar preparado para tudo. Billy Broncho era um cowboy fora da lei. Vivia à custa de assaltos a bancos, diligências e trens. Naquela noite, por mais que tentasse Jack Revenge não conseguiu dormir. Passou a noite em claro. Imaginando tudo o que aconteceria ao encontrar o bandido. No dia seguinte, levantou de sua cama de mola. Com dores das costas por conta do colchão fino da pequena e barata pensão em que passava as noites. Foi até a venda do Sr. Stuart Klyn, um velho gordo, com barbas brancas e bigode mal aparado. Na cabeça, apenas alguns fios de cabelo também brancos, porém compridos, passando pouco da altura dos ombros. Quase não sorria, mas as poucas vezes em que movia os lábios mostrava seus dentes amarelos. Alguns dentes é claro. O pobre Stuart havia perdido os dentes da frente em uma briga com um forasteiro que tentou sair sem pagar de sua venda. Era um cabra macho. Não brincava em serviço. Trabalhava com a espingarda ao lado do balcão. Pois bem, entrou na venda e comprou alguns charutos e balas para seu revolver. Jack Revenge vestia uma calça marrom, camisa xadrez, um par de botas de couro e o velho chapéu. Usava um casaco de lã quente, preto. E um cinturão com seu revolver e algumas balas compradas na venda do velho Stuart Klyn. Passou em frente à cadeia, viu a cadeira de balanço e pela primeira vez desde sua chegada em Taft, lembrou-se de seu velho pai. O xerife Batt Wayner. Olhou mais uma vez, e pode ver o pobre Batt sentado na cadeira de balanço, fumando seu cachimbo. Com o chapéu caído na testa e a estrela que carregou sempre com orgulho, brilhando no peito. Sentiu uma mistura de raiva e tristeza invadindo seu corpo. Seguiu seu caminho, voltando a olhar a cada passo para trás. Como se de uma hora para outra seu velho pai abrisse a porta da cadeia e sairia para fumar seu cachimbo em sua cadeira de balanço. Parou em frente à igreja e lembrou-se dos comentários do bisbilhoteiro Thompson que não cansava de contar sobre a morte do xerife. Voltou a olhar para a cadeira de balanço e não viu mais sentado na mesma o velho Wayner, mas sim Billy Broncho, com as mãos cobertas do sangue do velho, fumando seu cachimbo. Olhando para o morto na avenida. Sentiu ódio. Montou no cavalo, de nome Tufão e seguiu caminho até a montanha com a esperança de encontrar Billy Broncho. As horas passaram lentamente. Jack sentia-se cansado. Por alguns momentos até fechou os olhos, lutando contra o sono. O dia foi embora. O sol se despedia de Taft e escondia-se atrás das montanhas. Jack precisava ficar em alerta. Levantou-se e permaneceu ali, por mais algumas horas escorado em um tronco de arvore em meio à mata. Ouviu algum barulho vindo do outro lado. Algo como batida de pata de um cavalo na terra úmida. Não. Eram dois cavalos. Jack teve certeza que era Billy Broncho e seu comparsa Spermot. Já estava escuro, apagou seu candeeiro com um sopro silencioso e ficou na espera. O barulho do trote dos dois cavalos cessou. Billy Broncho desceu até os trilhos do trem. Jack tremia. Uma mistura de medo e ódio. Billy firmou o pé esquerdo no trilho e permaneceu ali, até que sentisse o tremer do mesmo e ver as pedras rolando do trilho. O trem estava chegando. Spermot empilhou madeiras no meio do trilho com a ajuda de Broncho, que subiu na pilha de tocos e madeiras secas e esperou pelo trem. A estrada clareou com as luzes e as faíscas que saíram do freio do trem que parou bem em frente a Billy Broncho. Spermot e Billy entraram no trem, saquearam os cofres e mataram alguns machões que tentaram resistir. Jack ouvia o choro das crianças e podia sentir o cheiro do medo do maquinista e dos demais passageiros do trem. Quando Billy saltou do trem, Jack pode ver atrás de algumas arvores uma arma brilhando, apontando para Billy. Jack não poderia deixar que alguém matasse Billy, todo seu trabalho, toda a sua luta para encontrar Billy seria em vão e seu sentimento de vingança jamais acabaria. Sacou a arma e atirou contra o estranho sujeito do outro lado da mata. Um tiro certeiro. Billy assustou-se. Olhou para trás e viu o sujeito caído. Spermot estava imóvel, Billy sabia que o tiro não havia saído do revolver de seu comparsa. Olhou em volta da mata e pode ver Jack em pé. Com a arma ainda apontada para o outro lado. Foi em direção do jovem Revenge. Jack tremia, suava frio. Talvez essa fosse a hora pela qual ele esperou a vida inteira. Billy aproximou-se estendeu o braço e cumprimentou Jack. Sem muita cerimônia convidou-o para tomar uma cachaça como forma de agradecimento por ter salvado sua vida. Jack aceitou. Era o que ele queria. Aproximar-se de Billy, conhecer seus pontos fracos e assim poder matá-lo.
CAPITULO III
Billy, Jack e Spermot passaram alguns dias na cidade de Porter que fica aproximadamente a 12 km de Taft. Uma cidade pequena com pouco mais de 372 habitantes. Era mais uma cidade fantasma do velho oeste. Com apenas uma avenida e assim como Taft, havia apenas um Saloon, uma cadeia e uma Igreja na avenida de terra. Os três freqüentavam diariamente o Saloon do velho amigo de Billy, Mac Cross. Um sujeito feio e trapaceiro. Aproveitava-se dos velhos bêbados para cobrar algumas doses de cachaça a mais. Passavam as noites na antiga pensão da Sra. Besterson. Uma senhora gorda com bigodes e cabelos desarrumados. Vestia sempre o mesmo avental lilás. Sempre sujo. Um lenço vermelho e lábios sempre cobertos por batom vermelho também. Usava sapatos de salto baixo, pretos. Um dos sapatos era furado na ponta e o outro gasto na sola. A fachada da pensão era de madeira velha, empoeirada. No café da manhã, servia sempre pão caseiro, carne seca e ovos mexidos. A Sra. Besterson tinha duas ajudantes. Duas belas moças, de cabelos presos com lenço e aventais também sujos. Eram muito bem prendadas. Cozinhavam, limpavam e bordavam quando não havia nenhum hóspede na pensão. O que não era raro, já que poucos chegavam à cidade de Porter. Em uma noite fria, Jack deitou-se na cama ao lado de Billy que já dormia. Notou que o fora-da-lei dormia com o revolver nas mãos sobre o peito. Era estranho, mas o ódio que Jack sentia pelo bandido era tão grande que ofuscava o medo da morte. Acordaram cedo na terça-feira. Os três, Billy, Spermot e Jack assaltariam o banco da cidade de Redbird a 6 km de Porter. Montaram em seus cavalos e partiram antes mesmo do sol nascer. Não havia plano algum. Apenas entrariam, renderiam os guardas e após abrir os cofres voltariam para Porter. Chegando a Redbird foram direito ao banco. Entraram, renderam todos e abriram os cofres. Billy ao virar-se para Jack, quando estavam saindo do bando, viu o amigo apontando-lhe a arma. Os dois permaneceram parados, um de frente para o outro. Jack com a arma apontada olhando fixamente nos olhos de Billy, que continuava com a arma abaixada e com um sorriso mordaz nos lábios. Jack voltou a si, abaixou a arma e sorriu. Billy achou estranho seu comportamento e seguiram para Porter sem trocar nenhuma palavra. Para comemorar o saque bem sucedido, foram ao Saloon naquela noite. Mas Billy ficou na pensão e deixou que seus dois companheiros fossem sozinhos. Spermot e Jack beberam e jogaram a noite inteira. Na saída Jack avistou uma bela jovem saindo do camarim das dançarinas de cancã. Ela vestia um vestido vermelho típico daquela dança, com babados brancos e no cabelo, plumas pretas. Tinha no braço uma fita de cetim preta com uma enorme rosa vermelha. Era linda. Seus lábios carnudos e vermelhos, seus olhos negros como o seu cabelo longo e liso. Uma pele branca e macia como veludo. Tinha pernas muito bem torneadas e usava meias de renda preta e um par de botas com um salto muito alto. Jack desviou seu caminho e foi atrás da jovem. Spermot estranhou o desaparecimento de Jack e saiu atrás do comparsa. Revenge encontrou a moça em frente ao Cabaré, também do proprietário Mac Cross. Ela parou, sorriu e pediu a ele que entrasse. Apresentou-se como Susie Loafer. Spermot o viu entrando no prostíbulo com Susie e o seguiu. Passaram a noite juntos. Jack estava encantado com a beleza Susie. Queria tirá-la dali. Casar-se-ia com ela e viveriam em Taft. Perguntou-lhe sobre Billy Broncho. Susie falou do bandido com indiferença, como se nunca tivesse o visto. Jack então, perdido de paixão revelou seu segredo para a moça. Disse-lhe que era filho do xerife Batt Wayner, morto por Billy Broncho e que teria voltado a Taft para vingar a morte de seu pai e acabar com Billy. Ao voltar para a pensão encontrou apenas Billy. Spermot foi atrás de Susie e a obrigou a contar tudo o que aconteceu entre ela e Jack na noite passada. Susie implorou para que Spermot não fizesse aquilo, mas ele era fiel ao seu amigo. Jack saiu logo após o almoço, queria encontrar Susie. Não sabendo do paradeiro da moça voltou para a pensão. Ao chegar, encontrou Susie nua e caída banhada em sangue. Ao seu lado, Billy Broncho sorria dizendo a Jack que Susie era sua e de nenhum homem mais. Jack tentou explicar alegando que não sabia do envolvimento dos dois. Spermot se intromete na conversa e apenas diz: “Jesse!”. O filho do xerife para. Não sabia mais o que iria acontecer ali. Sacou a arma, apontou para o bandido. Mas nada aconteceu. O duelo foi marcado para o meio dia do dia seguinte. A honra de um homem, segundo Billy, é lavada em um duelo. E há tempo ele não se divertia com um duelo. Nada melhor que unir o útil ao agradável. Spermot e Cross eram as duas testemunhas do duelo. Explicaram as regras. Cinco passos e atirem a qualquer momento. Apenas uma bala para cada. Caso algum erre o tiro, deveria permanecer imóvel esperando pelo tiro do inimigo. O sino da Igreja bate as doze badaladas do meio dia. Jesse e Billy caminham lentamente os cinco passos. Param. Por um segundo apenas trocam olhares. Billy sorria. Jesse puxa o gatilho enquanto Billy arrumava o charuto para o canto da boca. Jack lembra-se de seu velho pai e dispara contra o fora-da-lei Billy Broncho. A fumaça da pólvora acaba. E Billy permanecia ali, em pé sorrindo para Jesse Wayner. O bandido arremessa seu charuto longe e atira. Jesse cai morto. Billy olha para o cadáver ainda sorrindo, arruma o chapéu que estava caído sobre a testa e segue embora com seu comparsa Spermot. A notícia chegou a Taft muito rápido. A história do filho do xerife Batt Wayner que voltou para vingar a morte do pai. Foi considerado um herói, velado e enterrado ao lado do túmulo do velho Batt. Taft estava perdida. Não havia mais lei. Os bandidos tomaram conta da cidade e os habitantes nada puderam fazer se não acostumar-se ao perigo.
CAPITULO IV.
Foi em uma noite de muita festa na cidade de Porter que Billy Broncho conheceu a bela e indomável Lola Lovely. O saloon do velho Mac Cross estava cheio. Broncho entrou, pediu uma dose e percebeu olhares estranhos vindo de uma mesinha no canto mais escuro do saloon. Bebeu a cachaça num só gole e batendo com o copo no balcão olhou em direção da mesa. Um rapaz muito alto, de pele escura e bigodes mal feitos saltou da cadeira em direção a Broncho. O jovem vestia calças pretas, um casaco sujo e um chapéu de abas largas. Lançou um olhar atemorizante para Billy que sem pensar duas vezes levantou-se para arrostar o púbere metido a valentão. Bastou um murro para o jovem cair sobre a mesa e derrubar algumas garrafas. E foi exatamente nesse instante que surgiu em frente a Billy uma mulher maravilhosa. Lola Lovely. Vestia calças justas de couro marrom, uma camisa branca e um colete preto. Trazia um cinturão também de couro, com um punhal de lâmina dupla e cabo preto. No cabo brilhavam três pedras vermelhas. Lola tinha um cabelo longo, preto e com alguns cachos nas pontas. Seus lábios vermelhos e carnudos realçavam ainda mais sua beleza. Dona de um olhar intenso e perspicaz atirou-se na frente de Billy, tirando o punhal da cintura, e partindo para cima do homenzarrão. Billy desviou da moça, não queria feri-la. Ela insistia nos ataques, até que Broncho perdeu o pouco de paciência que lhe restava. Segurou a bela moça pelos braços e tascou-lhe um beijo. Lola quando conseguiu se livrar dos braços fortes de Billy revidou com um soco judicioso nos lábios do atrevido, correu para fora do saloon, montou em seu cavalo e desapareceu na noite. Billy não conteve o riso. Acendeu um charuto, bebeu mais algumas doses e depois foi para a pensão da Sra. Besterson, onde ele estava instalado. Naquela noite ele não pregou os olhos. Ficou lembrando-se do episódio do saloon e claro, nos belos lábios de Lola. No dia seguinte, após comer o velho pão caseiro com carne seca e ovos mexidos do café da manhã, feito pelas duas moças que serviam a Sra. Besterson, voltou ao saloon a fim de encontrar o amigo Mac Cross. Billy queria saber sobre a moça da noite passada. O velho Mac bebia escorado no balcão com outro homem mal encarado. Billy chegou sem cerimônias, perguntando sobre a moça arrojada que lhe atacara na noite passada. Mac Cross abriu um sorriso amarelo e contou a Billy que era irmã do jovem que ele havia atacado na mesma noite. Lola Halsey, mais conhecida por Lola Lovely. Era filha do velho John Halsey, o qual era dono de um armazém. Broncho deu de ombros, virou as costas e dirigiu-se ao tal armazém. No caminho do armazém sentiu uma sensação estranha. Estava sorrindo sozinho e a única coisa que queria, era ver Lola Halsey, sua bela Lola Lovely. Ao chegar ao armazém deu logo de cara com o velho Halsey, um sujeito dono de um rosto cansado e castigado pelo tempo. Lola apareceu em seguida com os cabelos presos, deixando a mostra seus ombros e pescoço. Era magra, belíssima. Ao deparar-se com Billy, cuspiu nas botas sujas de poeira do cowboy e saiu. O velho Halsey apenas sorriu para Billy, mostrando-se orgulhoso pela atitude da filha. O encanecido conhecia bem o gênio da jovem e sabia bem que por trás de tanta hostilidade se escondia um pouco de sua mãe. Catherine Halsey foi a dama mais cobiçada de Porter. Sempre usando longos vestidos com decotes surpreendentes arrebatou o coração do velho John. Faleceu no dia em que Lovely nasceu e a moça cresceu criada pelo pai, talvez por isso tinha um gênio difícil. Saiu igual ao velho. Lovely sentia um desmesurado desagrado e total aversão por Broncho. Mas Billy sabia que ia poderia domar a fera e era isso que ele queria. Passava os dias sonhando com a sua Lola. A indócil e bela Lola.
CAPITULO V.
As coisas foram acontecendo mais rápido do que Billy esperava. Em uma tarde fria e chuvosa, Billy estava de partida para Redbird, queria resolver alguns negócios pendentes por lá. Soube que Tomas Guild estava passando um tempo na cidade. Billy tinha algumas contas para acertar com o cowboy. Iria para Redbird e depois retornaria a Porter a fim de amarrar-se com Lola. Ao sair da cidade, passando por um campo afastado ouviu gritos de uma mulher. Billy jamais em suas andanças preocupou-se em socorrer alguém. Mas dessa vez, não se sabe por que, Billy virou seu cavalo a galope, riscou de espora e chicote, sangrou a anca do velho Nevasca. No alto de uma montanha, numa casinha feita de sapé, apeou do cavalo e pela fresta da janela, pode ver iluminado por um pequeno lampião quase apagando, uma jovem no chão e um cabra com uma arma na mão. Observou por mais um instante e não teve dúvidas. Era ela, Lola Lovely. Tão indefesa e bela, como ele jamais a tinha visto. Bateu com as botas sujas na porta da casa velha, puxou o gatilho e acertou no inerme que maltratava sua bela Lola. Puxou-a pelo braço para que ela pudesse se levantar. Lovely olhou para Broncho com ternura, mas desviou o olhar quando percebeu que ele notara sua benevolência. Agradeceu sem muita cerimônia e foi saindo pela porta. Billy segurou-a pela mão macia e delicada, deu-lhe um beijo doce e suave, algo que jamais ele havia feito e ela se rendeu aos encantos do velho Billy. Amaram-se loucamente e passaram o resto do dia e a noite na pequena casa de sapé. Juraram amor eterno e fizeram planos para o futuro. Ao amanhecer, Billy acordou sua bela mulher com um beijo e disse que estava de partida para Redbird, que iria acertar umas contas com o nefasto Tomas Guild e depois voltaria para levá-la embora. Lola percebeu o olhar furioso de Billy e pediu que ele ficasse. Falou a seu amado que não se sentia segura e que temia que algo ruim acontecesse a ele e ela não poderia mais viver sem ele por perto. Billy apenas beijou-a intensamente e partiu deixando a jovem aos prantos segurando o lenço velho e empoeirado que Broncho deixara para ela.
Ao chegar a Redbird Billy percebeu que a cidade não era mais a mesma. O xerife havia sido morto e os presos foram soltos da cadeia. Já era tarde quando chegou e foi direto ao Saloon, sabia que Guild estaria por lá. Ao entrar, notou que o bar estava vazio, com apenas uma mesa ocupada por quatro homens barbados. No canto esquerdo da mesa, estava Tomas Guild e ao seu lado seus comparsas Kid Moret, Ben Rolf e um velho gordo conhecido por Jack Weeton. Pediu uma dose de cachaça e fez sinal com a cabeça para que Guild se aproximasse. Os quatro homens reconheceram o rosto do afamado Billy Broncho e levantaram-se puxando os revolveres das cintas cercando Billy contra o balcão. Billy sacou o revolver, atirou uma garrafa de conhaque para cima e em seguida acertou no peito do truanesco Weeton. Kid atirou no braço de Billy, mas caiu em seguida, pois um velho de barbas brancas saiu de trás do balcão e acertou-o na cabeça com uma velha garrucha. Billy sorriu, agora era ele e Guild. Os dois homens se olharam por alguns instantes, Billy sorria, mas Guild permanecia com a expressão imóvel e rude. Alguns curiosos ouviram os tiros e foram até o saloon ver o que estava acontecendo. Pararam na porta e ficaram assistindo ao duelo dos dois mais famigerados cowboys do estado de Oklahoma. O silêncio que tomava conta do Saloon de Redbird foi quebrado pelo som de um tiro. Guild acertou Billy no peito com um tiro certeiro. Antes de cair banhado em sangue, Broncho atira contra Tomas Guild abrindo um buraco em seu pescoço. Os dois corpos ficam estendidos no chão sujo de poeira e sangue. Antes de fechar completamente os olhos, Billy se lembra dos olhos de Lola e então tudo escurece. Os curiosos correram espalhar a notícia de que Billy Broncho e Tomas Guild teriam se matado no Saloon do velho Hilbert Lokhan. A notícia chegou à cidade de Taft, onde todos festejaram a morte do cowboy fora-da-lei que tanto havia assombrado a vida dos moradores da pequena cidade. Porém, quando a notícia chegou a Porter, apenas uma pessoa foi até a Igreja rezar pela alma de Billy. Lola Lovely vestiu-se de preto e viveu uma imensa melancolia.
CAPITULO VI
Dois meses se passaram e Lola ainda vestindo seu traje de luto recebeu a visita de um velho de barbas brancas, jamais visto na cidade de Porter. Era o velho Hilbert Lokhan. Apresentou-se a moça como amigo de Billy Broncho e deu-lhe o recado mandado pelo mesmo. Billy estava vivo, ficara gravemente ferido no duelo com Guild, mas sobrevivera. Contou a jovem que seu amor o esperava na casa de sapé onde um dia a salvara. Lola Lovely agradeceu ao velho, juntou seus pertences o mais rápido que pode, beijou a testa enrugada de seu velho pai e partiu montada em seu cavalo em direção à casa de sapé. Correu o máximo que pode, sentia a brisa gelada cortando sua face, mas não pensava em outra coisa senão encontrar logo o seu Billy. Ao chegar à casa, Billy estava na porta esperando por ela. Abraçaram-se fortemente e então Lola soltou seus braços, deu-lhe uma bofetada no rosto e sorriu docemente.
Passaram-se muitos anos e cada vez menos se ouvia falar do nefário Broncho. As lendas e histórias sobre o cowboy foram sendo esquecidas com o tempo...
— Mas o que aconteceu com ele vovô?
— Ah, o temível Broncho hoje está velho e cansado das aventuras de cowboy fora-da-lei... Mas agora entrem que vovó Lola deve estar servindo o jantar.
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