domingo, 7 de setembro de 2008

O vestido verde.

A moça estava parada diante da vitrine. Era feia. O cabelo era quase um catálogo de tintas e as espinhas tomavam conta das bochechas, queixo e testa. As orelhas eram enormes, mas ficavam pequenas perto do nariz. A moça era magra, ou melhor, era muito magra. Vestia um calção jeans largo, uma blusinha preta e meias coloridas. Olhava a vitrine com brilho nos olhos. A manequim vestia um belíssimo vestido verde de seda, com fitas presas a cintura e um decote sensacional. Era um vestido longo repleto de garbo e elegância. No colo da manequim, um colar com pedras brilhantes, magnífico. Havia na vitrine também um sapato prateado, trançado nas pernas com um pequeno detalhe em strass. Discreto, porém gracioso. A moça feia seguiu seu caminho, sem deixar de pensar no vestido, na sandália e no colar de pedras brilhantes. Chegou a sua casa e parou em frente ao espelho de seu quarto. Fazia poses, imaginando-se dentro daquele vestido. Sentia-se como uma princesa em um baile de gala. Parou por um instante, e contemplou a própria feiúra. Decidiu comprar o vestido, queria sentir-se uma princesa. Feia, mas princesa. Foi até a loja, entretanto, o vestido já não estava mais lá. Voltou para casa chorando, inconformada. E enquanto isso, no outro lado da cidade, uma jovem gorda tentava aos prantos entrar no vestido verde que acabara de comprar. Tinha um rosto belo, lábios desenhados, pele macia, cabelos longos e bem cuidados, mas era gorda.

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