sexta-feira, 5 de setembro de 2008

A crise e a cura

A tal da crise existencial é formidável. Passamos toda a nossa vida escolhendo decisões e caminhos a serem tomados. Esses escolhidos, são no primeiro momento talvez a coisa mais certa a se fazer. Mas aí começamos a enfrentar um mar de percalços. Passamos a pagar pelo preço da nossa crise existencial, o preço por ter que escolher também os efeitos da decisão tomada. E assim vamos levando a vida. Escolhendo e pagando o custo de cada alternativa. É impossível permanecer imparcial. Temos que escolher entre sermos uma essência oculta em nós ou nos adaptarmos à vontade alheia. Escolhemos entre o “eu quero” da nossa alma e o “você deve” imposto pela sociedade contemporânea. Cabeça ou coração? Esse nosso desespero, pelo ser ou pelo estar, pode levar-nos a vitória ou a derrota e talvez a cura para todo esse desespero apareça quando você, ser humano, reconhecer a sua própria crise. Kierkegaard, um filosofo norueguês explicou toda essa confusão entre o ser, o estar, o dever ser e o querer ser, dizendo o seguinte: "Todo desespero é fundamentalmente um desespero de sermos nós mesmos”. Segundo o filosofo, o primeiro passo para vencer o desespero, é tomar consciência do mesmo, dar-se conta de que o individuo está sendo aquilo que na verdade ele não quer ser. Está vivendo como um ser obediente, escravo. Nietzsche escreveu: "Manda-se naquele que não pode obedecer a si próprio”. É fato, um eu em desespero age da maneira que esperam que ele aja e não da maneira que ele espera realmente agir. O ser humano possui capacidade de ousar de si próprio, de mudar eventos de sua vida. E não sou apenas eu que digo isso, muito antes de eu pensar sobre toda essa confusão, sobre toda a busca pela cura do desespero, Heidegger proferiu: "O homem é um ser que está para além da sua própria situação". Alguém discorda? Bem, se isso ainda não foi suficiente para provar essa teoria da cura do desespero, citarei aqui o pensamento de Sartre que para mim, encaixa-se nessa discussão: "Não importa o que fizeram de mim, importa o que eu faço daquilo que fizeram de mim". Nós, seres humanos, somos aquilo que desejamos ser, o grande problema é que nos tornamos escravos da rotina, presos ao “você deve”. Esquecemos que somos a pessoa que nós escolhemos ser. Os primeiros filósofos, desde a Grécia Antiga, já buscavam respostas para a razão do ser do homem. A questão é que em pleno século XXI, nos deparamos com a mesma dúvida existencialista. Perguntas como: Ser ou não ser? O que ser? Pra que ser? Até quando ser? Somente ser? E ainda, a pergunta que não canso de fazer a mim mesma: O que falta no ser do homem moderno? Vivemos em um mundo caros leitores, tomado de conjunturas mistas de expectativas e o pior, com ausência de perspectiva no futuro. Escolher, nada mais é que abraçar uma escolha e desapegar-se de outra. Fica aqui a escolha, entre ser um ser conformado ou um ser autentico. Pagar-se-á o preço para qualquer uma das opções. E aquele que ainda acredita que a existência nada mais é que buscar o prazer e evitar a dor descobrirá em algum momento de sua existência que a vida não é só isso. Eduque-se e busque ser aquilo que você pode ser e quer ser. Esqueçam o que articulam sobre o “tu deves”. Seja você. Perdoem-me essa filosofia toda, mas estou procurando a cura para o meu desespero.

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