quinta-feira, 11 de setembro de 2008

O Triste fim de Arniltina José Pinto.

Arniltina José Pinto. Quando infelicidade tem essa moça. Moça bonita. Cabelos pretos, longos com cachos bem definidos. Olhos castanhos. Sobrancelha alta. Boca desenhada e bochechas rosadas. Estudante de letras. Inteligente. Boa moça. Vai todos os dias à igreja. E pede a Deus que perdoe a santa ignorância de seus pais. A pobre moça sofre tanto. Arniltina... Ou melhor, Tina. ( Ela prefere ser chamada assim.) Não suporta preencher fichas de inscrição. Tem horror a lugares que pedem os documentos. Quanto pânico lhe causava o simples pedido. Qual seu nome? Pensou em entrar com um processo para mudança de nome, mas gastaria demais com um advogado e desistiu. Podre Arnil... Opa. Pobre Tina. Não compreendia o motivo infeliz de seus pais terem resolvido juntar seus nomes. Arnildo José e Albertina. Que maldita idéia tiveram os dois. Não pensaram no trauma que causariam a sua inocente filha. Chegou ao ponto de contratar uma moça para ir buscar seu passaporte que estava pronto. Por conta da vergonha de pegar o documento e afirmar: Sim, eu sou Arniltina José Pinto. Odiava a hora da chamada na escola. Quando criança não queria fazer novas amizades. Abominava apresentações. Arniltina é uma jovem belíssima. Nunca teve namorado. Teme morrer solteira. Acredita que homem nenhum, irá se render aos seus encantos depois de ouvir seu nome. Se é que isso pode ser chamado de nome. Podre Arniltina. Na pré-escola dava seu lanche inteirinho para a coleguinha que respondesse presença em seu lugar. Mesmo ela estando dentro da sala de aula. Não suportava os olhares de todos, até mesmo das tias quando chamavam: Arniltina José Pinto. Quando seus planos de comprar as colegas não lograva êxito. E ela era obrigada a responder chamada, a voz não saía. Ela mal conseguia levantar a mão. Suas bochechas rosadas tornavam-se roxas de vergonha. E quando percebia já estava quase embaixo da carteira. Pobre jovem. Tão linda. Com um nome tão... Tão... Excêntrico? Era jovem acautelada. Decidiu que jamais teria filhos. Ficava imaginando a vergonha dos mesmos nos dias das mães. Ter que apresentar na escola sua mãe. A Sra. Arniltina. Não queria exprobrar um filho ou filha a ter uma identidade, onde no local do nome dos pais constasse o terrível nome que carregava. Arniltina? Bem, a jovem era tão bela. Tão cheia de graça. Sonhava em pousar nua em uma revista famosa. Mas sentia-se um monstro ao pensar na manchete. – CONFIRAM AS FOTOS DA BELISSIMA ARNILTINA JOSÉ PINTO. – Quem iria comprar uma revista dessa? Ou pior, jamais algum produtor chegaria a ela dizendo: “Ouvi seu nome, quer pousar nua na minha revista?”. Que triste fim teria Tina. Nenhum compositor jamais faria uma bela canção em homenagem a ela. O que usariam para rimar com Arniltina? Botina? Cortina? Não. Ela jamais teria uma musica homenageando-a. Pobre tina. Era perdidamente apaixonada pelo ator Thiago Lacerda. Tina sonhava com o dia em que encontraria o ator. E como esse mundo da voltas. Um belo dia, nossa querida Arniltina José Pinto resolveu fazer uma viagem para o exterior. Lá quem sabe, achariam seu nome exótico e não burlesco. Enfim, chegando ao aeroporto, mascando seu chiclete velozmente pois já tinha passado pelo constrangimento de apresentar sua passagem na entrada. Ela para. E se depara com o amor de sua vida. Sim, caros leitores. Era ele. Thiago Lacerda. Arniltina ficou tão empolgada, tão alvoroçada que não pensou em nada, nem mesmo no seu putrefato nome. Correu na direção de seu amor. Apanhou papel e caneta da bolsa, olhou bem nos olhos do ator e pediu um autografo. O Belo ator, não pensou duas vezes. Pegou o papel, em seguida a caneta, deu um belo sorriso para a jovem. Moveu os lábios e disse: “Você é muito bonita, jovem. Qual seu nome?” Arniltina sentiu seus pés saírem do chão e naquele mesmo instante, engasgou com o chiclete. Foi ao chão e morreu ali. Na frente de seu amor. No seu enterro, estava gravado em sua sepultura. Aqui descansa a doce Arniltina José Pinto. Saudades, seus pais, Arnildo José e Albertina.

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