O fato é o seguinte: Uma bela jovem de cabelos tingidos ( sei lá que cor ), magra, não muito alta, mas também não posso dizer que baixa e com aparelhos nos dentes sofreu certo tempo da dita hemorróidas. Pobre mulher. Tão elegante tão suave ao falar e se portar, mas ao sentar... A coisa ficava feia. Sempre de ladinho ou com alguma almofadinha em baixo dos braços, ou melhor... Em baixo do... Deixa pra lá. Não havia pessoa que não olhasse para Maria Rosalice. A priori olhavam com ternura e encantamento, mas era só a mulher se ajeitar pra sentar e cruzar as pernas erguendo um lado do bumbum, sentando assim, meio que inclinada, sabe? Que o encantamento passava. Hemorróidas na certa! Querendo ou não, há certo preconceito com pessoas que sofrem... E como sofrem com esse probleminha. Não que a pessoa seja excluída da sociedade ou do grupo de amigos pelo simples fato de sofrer na hora de sentar ou cagar. Mas a questão é que isso se tornou hoje motivo de escárnio. É engraçado (para quem tem o cú livre é claro). Mas voltando ao acontecido, uma tarde muito quente e seca, Maria Rosalice se contorcia sentada no sofá. Seu ritmo intestinal modificou-se em questão de segundos, a freqüência das exonerações e a forma das dejeções também. Por via de conseqüência, começaram a surgir puxos e tenesmo, o que exacerbou o já existente estresse da pobre Maria Rosalice. Não. Pobre não. Maria Rosalice sofria de intestino preso, não de diarréia. E diarréia meus amigos só pode ser coisa de pobre. Eles não conseguem acumular nada, nem mesmo as próprias fezes. Todo pobre tem diarréia. Mas enfim, Maria Rosalice piorava a cada segundo. As cólicas intestinais aumentaram e a cada bufa quente, daquelas que passam queimando os pêlos do traseiro, ela tremia. Sentiu uma contração forte e chegou à conclusão de que seu feto intestinal estava pronto para nascer. Correu para o banheiro em passos curtos e ligeiros. Abriu as calças no meio do caminho. Maria Rosalice suava. Sentou no banheiro e soltou um grito. Algo do tipo “AAAAAAAI”. Sua amiga Jurema correu para ver o que estava acontecendo. Maria apenas falou em meio a gemidos: “MANDE A FRANCISQUINHA COMPRAR SUPOSITORIOS! HOJE NÃO VAI TER JEITO! AAAAAI”. Foi dada a largada da corrida, Francisquinha pegou sua bicicleta e correu até a farmácia para comprar os supositórios para a amiga. Quando chegou, Maria Rosalice gritou mais uma vez. Mas não de dor. Dessa vez foi de raiva mesmo:
- Você comprou o tamanho pequeno sua infeliz!
- Ora essa, coloque mais de um, garanto que você caga. – Respondeu Francisquinha virando as costas rindo.
Maria Rosalice pediu a Jurema que tirasse da embalagem três supositórios. Jurema riu, riu muito. Aquela situação estava realmente cômica. Abriu a embalagem e entregou a amiga os três pequenos supositórios. Alguns minutos após a introdução e não logrando êxito no serviço, gritou para Francisquinha, suplicando que ela fosse comprar supositórios do maior tamanho possível. A jovem pegou mais uma vez a bicicleta e foi até a farmácia. Trouxe uma embalagem grande. Com seis grandes supositórios dentro. Jurema rapidamente abriu a embalagem e entregou um para Maria.
- Dê-me logo três. Gemeu Maria Rosalice.
Jurema em meio a risos entregou os três, sentou na beirada da cama e ficou ouvindo os gemidos da amiga, sempre rindo muito, é claro. Quem não iria rir assistindo a uma cena dessas? Só quem esta enfiando os supositórios no fiofó é que não acha engraçado.
- AAAAAAAAI. Traga mais dois!
- Você está louca? Vai ter um treco. Daqui a pouco caga até o intestino.
- Ande logo Jurema, não agüento mais.
Jurema tirou mais dois supositórios da embalagem e entregou a Maria que estava pálida e com uma respiração cansada. Jurema sentou-se na cama novamente e aguardou. Não demorou nem cinco minutos e ouviu o gemido de alivio de Maria Rosalice. Sim, caros leitores, a miserável cagou. A primeira leva, ou melhor, a primeira merda veio sólida e comprida, daquelas que dão a impressão de que vai entupir a privada. Jurema foi até o banheiro, ver se a amiga já estava se sentindo melhor, mas assustou-se com o que viu. Maria estava parada, agarrada nas laterais da privada, com os pés juntinhos, como se estivesse tentando empurrar o chão. Não deu outra, chegou a segunda leva de bosta. Desta vez, veio como um patê de criança. Algo como uma pasta morna. Borrou toda a privada. Jurema foi até o armário do outro banheiro, já que era impossível entrar no mesmo que Maria Rosalice, devido a fragrância insuportável de merda mole. Pegou dois rolos de papel higiênico e abaixando-se até o chão rolou-os até o encontro da amiga que permanecia imóvel e agarrada à privada. O cheiro de fossa tomou conta da casa. Jurema e Francisquinha riam no quarto. Maria Rosalice levantou e dirigiu-se ao quarto, andando com as penas meio abertas. Deitou-se na cama de bunda para cima. Enfiou a cara no travesseiro e resmungou para as amigas, dizendo que não queria ouvir nenhum comentário sobre o episodio. Jurema, quando conseguiu parar de rir olhou para a amiga, naquela situação de merda e perguntou:
- Quer que Francisquinha vá comprar um Hipoglos agora?
No final das contas, foram contabilizados, três supositórios pequenos, cinco supositórios grandes, um pacote de chá de sene, quase um rolo de papel higiênico e uns três quilos a menos. Que bela cagada!
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