- Corte o peixe.
- Odeio peixe.
- Apenas corte, passe na farinha e frite.
- Você não está entendendo? Eu odeio peixe.
- E não pode apenas corta-lo?
- Odeio peixe.
- Faz idéia do quando você é irritante?
- Sabe... Platão disse que idéias são formas...
- Lá vem você com seus filósofos!
-... Modelos perfeitos ou paradigmas, eternos e imutáveis, constituindo um mundo transcendente...
- Você não cansa de tanta bobagem?
-... Bem, Kant acreditava que as idéias são conceitos reguladores da razão, formais e claro necessários. Hegel por sua vez, diz que as idéias são a verdade plena do ser, a unidade do conceito e do real de tal modo que todo real seria uma idéia...
-Tudo bem. Agora eu tive uma idéia.
-... Para mim, idéias não passam de uma representação mental, um conceito que temos acerca de algo... Qual a sua idéia?
-Fale sozinha. Estou de saco cheio.
-Achei que pudéssemos conversar coisas mais interessantes que peixe.
-Estou com fome!
-Coma.
-Corte o peixe!
-Já disse, detesto peixe.
-Você precisa de um namorado.
(Silêncio)
-Penso que...
-Amor menina, amor! É isso que você precisa.
-Amor oblativo, puro, próprio ou um amor platônico?
-Que diferença faz. Haja paciência!
-Faz toda a diferença... Veja bem, o amor oblativo seria algo oposto ao egoísmo, eu diria que amor ao próximo.
-Pula esse.
-O puro, é aquele que se tem apenas para com Deus...
-Você é cética demais para isso. Pula.
-Já o amor próprio é um sentimento de dignidade pessoal e de respeito por si.
-Sem comentários...
-Enquanto o amor platônico é aquele que prescinde de toda sensibilidade...
-Chega, chega! Isso só pode ser falta de sexo.
-Desisto. Realmente não se pode conversar com você.
-Corte o peixe.
-Está bem.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
A velha história. – Política, políticos e uma pequena dose de Brasil.
Existe um ditado popular que diz: "futebol, política e religião não se discutem; cada um tem o seu". O problema, é que são os pontos que as pessoas hoje, mais querem aventar. Confesso que esse tipo de discussão não me agrada. Mas essa noite um velho amigo resolveu falar sobre alguns assuntos polêmicos. Por um pequeno momento, tentei expor minhas opiniões e mostrar ao integrante de mais um comitê revolucionário ultra jovem que não concordava com muito que ele falava. Não. Ele não falava, ele gritava! Gemia, gesticulava, rugia... Mas sem argumento algum. O que direi agora, talvez alguns de vocês entenda como arrogância ou prepotência, mas o fato é que não consigo discutir com gente sem contexto. A conversa chegou a tal ponto, que fui obrigada a usar de sarcasmo. E o embuste acabou virando, para mim, uma bela de uma piada. O discípulo de Che Guevara já desnorteado pelo desespero, pela falta de argumentos para discutir, decidiu então, dar-me os parabéns pelo meu futuro na carreira jurídica e aumentando o tom de voz falou com firmeza algo como "Tente não julgar o pobre, por ter furtado dez reais de um rico e ainda tente não trabalhar por dinheiro como todos fazem, mas sim pela justiça". Ora essa! Eu poderia ter explicado a ele o principio da insignificância, mas poupei-me de ouvir algum comentário escusado. De certo eu mereço ouvir isso em plena quinta-feira. Eu realmente não agüentava mais todo aquele papo de "chega de corrupção", "sinto pena dos pobres", "são pobres porque os governantes são corruptos"... Blá, blá, blá. Quem é que não sabe disso? De fato, o Brasil é uma bagunça. As leis são justas, mas a justiça nem sempre é aplicada. Mas a pergunta que eu não me canso de fazer é: Qual é o meu grau de culpabilidade por essa desordem toda? Admito caros leitores, que a política passou dos limites. Que o direito nem sempre é "direito". Mas se tem algo que não tolero é gente desonesta gritando pelos quatro cantos do mundo por honestidade. Serei mais clara, vocês ainda acreditam que a corrupção é praticada só pelo governo? Quem aqui nunca sonegou um imposto? Quem é que nunca pegou o troco errado na padaria e saiu sem devolver? Que aluno de faculdade nunca falsificou um atestado médico para abonar suas faltas? Isso tudo é lícito? Ora essa, aqui não é o país das maravilhas da Alice meu caro. E você brioso revolucionário que não cansa de reclamar de seus governantes já parou para pensar como foi que eles chegaram lá? Você votou! Aí vem o "Chezinho" me dizer, que os pobres e oprimidos vendem seus votos por misérias tomados pelo desespero, pela falta, pela necessidade. Ah, isso sim é o exemplo perfeito de honestidade. Desde quando desespero justifica ignorância? É claro caros leitores, que esse mesmo povo vendedor de votos, que detesta a política, é regido pelos que deles vivem e pouco entendem desse sistema neoliberal, são sem sombra de dúvida os principais violentados dos desequilíbrios da economia. E que bloqueados em sua "compostura", tentam abarcar todo esse processo de condução do país e, sobretudo a genialidade de seus representantes no ato da manipulação e na justificação de suas veemências eleitoreiras. Essa busca por uma sociedade perfeita não deve ser levada com toda essa revolta. Não me vejam como uma jovem seguidora de Lin Piao. Simplesmente não concordo com o rumo que essas discussões levam. Talvez se as pessoas sentassem, conversassem, tentando usar a razão e não o urro, alguma solução viria à tona. E quem sabe, quando essa solução surgisse, as pessoas pudessem agir de maneira prudente e arguta. Esse é o nosso povo brasileiro que se une para conspirar contra a politicagem, que implora para que não violem o seu direito mais inviolável chamado respeito, é o mesmo povo que esquece que a mudança deve começar por eles. Não sou nenhuma exímia pensadora política e muito menos tenho anseio a recomendar o caminho a ser tomado, mas concordo com o autor Leandro Konder que afirma que sabemos que direção escolher. Sabemos qual direção levaria o país à democracia e a justiça social, todavia, ainda não temos ciência de como seguir essa direção. Desculpe-me meu nobre amigo por todas essas ponderações, mas tive que apregoá-las aqui desta forma, já que não pude expor as mesmas durante nossa concisa conversa.
Assinar:
Comentários (Atom)